Lendo Chesterton

O centro de toda a existência do homem é um sonho. Morte, doença, insanidade, são, meramente, acidentes materiais, como uma dor de dente ou uma torção no tornozelo. Que essas forças brutais sempre sitiam e, freqüentemente, capturam a cidadela, não prova que elas são a cidadela.

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segunda-feira, 11 de março de 2013

A santíssima tríade do Iluminismo: positivismo, laicismo e cientismo


Segunda-feira, 11 Março 2013


Quem quiser entender minimamente o que se passa hoje no nosso mundo, tem que ler e entender Eric Voegelin — o que, já de si, não é fácil. Para se entender Eric Voegelin (assim como por exemplo, Gadamer) tem que se ter alguma “bagagem” da filosofia grega, e não apenas aquela que se aprende em um ano de filosofia no ensino secundário. E por isso também
é difícil explanar as ideias de Eric Voegelin de um modo tal que a maioria das pessoas entenda o que se quer dizer.
O ser humano entende símbolos (que têm as representações respectivas); a própria linguagem humana é simbólica. O simbolismo, que caracteriza o ser humano, aponta para uma realidade metafísica, ou seja, para uma realidade que não se confina ou que possa ser reduzida à dimensão da percepção sensorial, ou a uma realidade básica similar.
Quanto mais uma realidade é fundamental — quanto mais uma realidade é o fundamento da nossa condição, da nossa existência, e do nosso ser —, mais difícil é de a justificar por conceitos e sem recorrer a símbolos. Falar de princípios elementares só é possível através de símbolos que traduzam essa realidade fundamental. Por exemplo, a realidade do “tempo” traduzida por Santo Agostinho:
“ ¿O que é, afinal, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; mas se me perguntarem e eu quiser explicar o que ele é, já não sei”.
Essa realidade fundamental aponta para a “metafísica dos primeiros princípios” — aquilo a que podemos chamar de“metafísica axiomática”: é uma “realidade” que “a gente conhece intuitivamente mas que não consegue explicar”.


O que Eric Voegelin nos demonstrou é que o
laicismo (e não o secularismo, que é uma coisa diferente) é uma forma de negação frustre da metafísica — e é frustre na medida em que qualquer negação da metafísica axiomática é sempre uma forma menorizada de metafísica. Falamos, então, do laicismo como uma metafísica negativa. Da mesma forma que não é possível o não-Ser (não é possível afirmar, com razão, que “o Ser não é”), também não é possível negar a metafísica axiomática sem cair em uma qualquer outra forma de metafísica redutora e básica.
Essa forma de metafísica negativa é hoje o laicismo — “é hoje”, porque existiram sempre outras formas de metafísica negativa, ao longo da História. E sendo uma revolta contra o Ser, o laicismo representa lógica e simbolicamente o Mal, na medida em que o laicismo nega a metafísica axiomática por intermédio de uma metafísica peculiar, negativa, muito pobre de conteúdo simbólico, e basista. O Mal é aquilo que, simbolicamente, nega e coloca em questão aquilo que É melhor, ou seja, aquilo que É o belo, que É o bom e o bem: o Ser.
Laicismo e positivismo são irmãos gémeos com partes corporais comuns. São duas cabeças de um mesmo corpo. Não podem viver um sem o outro. Criticar o positivismo é fazer uma crítica ao laicismo — e vice-versa. Por exemplo, a actual França laica do socialista François Hollande é uma França positivista. Os Estados Unidos de Obama aproximam-se do laicismo positivista.
O positivismo foi a forma encontrada pelo Iluminismo para negar a metafísica axiomática (a dos primeiros princípios), impondo em seu lugar uma corruptela metafísica que abrange apenas um segmento muito restrito da realidade. E o corolário lógico do positivismo é, portanto, o laicismo.
Ligado intimamente ao laicismo e ao positivismo, está o cientismo. Positivismo, laicismo e cientismo constituem a santíssima tríade de todas as religiões políticas que nasceram do Iluminismo. Simbolicamente, a santíssima tríade do Iluminismo, que aponta para uma metafísica negativa e de negação do Ser, é a antinomia da Santíssima Trindade cristã que aponta para a metafísica axiomática; e, neste sentido e de uma forma simbólica, podemos afirmar que a tríade iluminista é a representação simbólica do Mal.

Fonte: http://espectivas.wordpress.com

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